sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A Ilha dos Mortos: Novo fôlego



Depois da espetacular batalha em Senhora dos Mortos, era difícil imaginar como a saga d'As Crônicas dos Mortos poderia prosseguir sem cair na armadilha do "mais do mesmo". No final do volume anterior, os habitantes do Condomínio Colinas migraram para Ilhabela, e tudo dava a crer que a nova ambientação deste terror de sobrevivência se resumiria à interminável liderança de Ivan e Estela na batalha contra os mortos-vivos, o que já estava começando a dar sinais de desgaste.

Felizmente, Rodrigo de Oliveira soube se reinventar, e da melhor maneira possível. Anos se passam desde que os habitantes do Condomínio Colinas foram expulsos de seu lar por Jezebel, e somos apresentados à próxima geração de sobreviventes. Agora os filhos de Ivan e Estela estão adultos, e grande parte da trama é focada neles. Em capítulos verdadeiramente emocionantes, são inseridos os fatos mais marcantes que se desenrolaram nessa passagem de tempo. Além do já aclamado estilo de escrita, que mistura terror com ação, Rodrigo de Oliveira também desenvolve um pouco seu lado inexplorado de escritor policial, com alguns mistérios que vão sendo solucionados aos poucos. No final do livro também há uma reviravolta surpreendente, do tipo que com certeza nenhum leitor esperaria.

Mas nem tudo são flores em A Ilha dos Mortos. Apesar do talento de Rodrigo de Oliveira para criar um enredo envolvente e criar cenas de ação e descrições detalhadas, os diálogos entre os personagens ainda sofrem um pouco. É comum, nas conversas, situações que não teriam muito sentido no mundo real. Diálogos forçados e frases clichês ainda são uma constante neste quarto livro da saga. Em várias cenas, por exemplo, Ivan diz algo que era pra ser engraçado e que causa gargalhadas em vários personagens, mas que não faz nem cócegas no leitor.

Esse, talvez, seja o único defeito de a Ilha dos Mortos, que é o melhor livro da saga até agora. Felizmente, o autor não caiu numa armadilha de enredo, ao levar todos os habitantes para uma ilha. Mesmo assim, fica aquela sensação de que a saga poderia ter terminado aqui. Rodrigo de Oliveira, aparentemente, avançará mais algumas gerações para o quinto e último volume da série. Como ele, porém, soube "sobreviver" muito bem depois do terceiro livro, reinventando os personagens e dando novo fôlego às Crônicas dos Mortos, não será de surpreender se A Era dos Mortos fechar a saga com chave de ouro, tornando esta uma das melhores (senão a melhor) história de zumbis já publicada.

Avaliação:

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente: Um pouco forçado


Certamente Agatha Christie não ficou famosa por este livro. Apesar de alguns pontos sagazes e espirituosos na linha de raciocínio do detetive Hercule Poirot, a conclusão se mostra um pouco forçada demais.

A edição da Harper Collins, pra piorar a situação, se mostra um pouco desastrada. Em um trecho onde Hercule Poirot faz um levantamento sobre todos os passageiros do trem e seus álibis e indícios, a editora "comeu" um dos passageiros (o italiano não aparece na listinha das páginas 152 e 153, pode reparar. As informações dele foram meio que "fundidas" com a do Hardman, que por isso tem suas próprias informações cortadas pela metade).

Não deixa, porém, de ser um bom livro pra passar o tempo. É muito divertido imaginar o que de fato aconteceu e ficar pensando nos suspeitos e em onde eles estavam no momento do assassinato. É como se estivéssemos ao lado de Hercule Poirot, tentando adivinhar junto a ele a solução do caso.

Assim, Assassinato no Expresso do Oriente é um bom livro, mas muito longe de ser algo que você leia e imagine ter sido escrito pela rainha do crime.

NOTA: 6

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Casa de Vidro: Fraco e Apagado


A Casa de Vidro é uma noveleta e, portanto, tem uma história curta. Isso, porém, não é desculpa para um enredo tão fraco.

Anna Fagundes Martino cria um universo de seres fantásticos que possuem o "dom da vida", digamos assim. Podem fazer crescer flores da terra apenas com seu toque.

Eleanor, a protagonista, sente-se então atraída por Sebastian, um desses seres mágicos. Eu gostaria de poder dizer mais algumas coisa do enredo, mas basicamente é isso. Nenhum trama memorável, nenhuma dificuldade a ser superada. Eles simplesmente se apaixonam e depois disso a história não evolui muito mais. Há apenas a descrição de algumas cenas e a inserção de novos personagens, mas nada é tão importante.

A Casa de Vidro é um caso muito curioso. Tem uma premissa boa, mas tudo o que a noveleta faz é apresentar essa premissa. Não há história. Não há uma trama central. O leitor não se envolve com os personagens. Apenas os vê serem apresentados, como se estivesse sendo introduzido a estranhos em uma festa, daqueles que você nunca mais vai se lembrar.

O que ainda salva um pouco o livro é a forma como Anna Martino escreve, numa linguagem muito prazerosa e gostosa de ler. As qualidades de A Casa de Vidro, porém, ficam por aí.

Nunca tinha lido nada parecido. Um livro com um não-enredo. Uma não-história, que acabou tão vazia quanto começou.

NOTA: 2

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Além da Magia: Mas já...?


Nunca julgue um livro pela capa. Quem não acredita nessa máxima, pode tirar a prova com Além da Magia, da escritora americana Tahereh Mafi. Ao olhar para a ilustração de Marina Ávila (que está apenas na versão brasileira do livro), o leitor pode ser levado a imaginar, erroneamente, de que trata-se de um livro infantil, ou até mesmo de um pequeno romance. A verdade é que a capa não faz jus ao incrível universo criado por Mafi a às divertidíssimas aventuras que Alice, a protagonista, vive.

A história se passa na simpática terra de Ferenwood, onde tudo é dominado pelas mais variadas cores. O povo de Ferenwood adora cores. Alice, porém, nasceu completamente desprovida delas: ela é toda branca, com exceção de seus olhos e de suas bochechas levemente rosadas. Isso faz com que Alice se sinta deslocada em sua terra natal. Como se não bastasse, o pai de Alice desaparece, levando consigo, misteriosamente, apenas uma régua. Assim, Alice se vê obrigada a salvar seu pai, contando com a ajuda de Oliver, um garoto que Alice simplesmente não suporta.

Ao sair em busca de Pai, Alice e Oliver se metem em aventuras deliciosas. Cada página é mais gostosa de se ler do que a outra. O livro é muito poético, e a linguagem usada por Mafi é muito instigante. Com freqüência a autora dialoga diretamente com o leitor, que se sente como se estivesse numa agradável conversa num chá das cinco.


As aventuras são muito criativas, mas no decorrer da história algumas pontas ficam soltas. Ao passar por determinados lugares, Alice e Oliver são auxiliados por personagens cujas histórias, que inicialmente são explicadas com detalhes, simplesmente ficam abertas. Causam estranheza também os últimos capítulos. Fica bastante evidente o quanto o final do livro foi acelerado, como se de repente tivesse batido uma preguiça em Mafi de prolongar muito mais a história. Alguns pontos muito legais do livro, como a cerimônia da Entrega que sempre esperamos ser retomada antes do final, também acabam sendo um pouco mal explorados.

Alguns livros pecam por se arrastarem demais. Além da Magia peca por correr demais, especialmente no final, como se fosse uma escola de samba que tivesse estourado seu limite de tempo numa noite de desfile.

Apesar desses defeitos, Além da Magia tem uma história tão cativante que certamente fará o leitor devorá-lo em pouquíssimo tempo. Aquela sensação de "mas já acabou?", afinal, só é sentida quando o livro é muito bom, fazendo com que nos envolvamos com seu universo e seus personagens. É o caso de Além da Magia.

NOTA: 8

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ressurreição



Depois de anos longe deste blog, estou pensando em retomá-lo. É incrível a quantidade de coisa que vamos vivendo ao longo do tempo. Tanta coisa incrível apareceu e aconteceu, e teria sido ótimo ter compartilhado tudo aqui, para no futuro olhar tudo novamente com saudade. Vamos tentar mantê-lo então daqui pra frente, para no futuro ter várias coisas para olhar e recordar! :)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Shadows of the Damned - ação e terror psicológico


Shadows of the Damned (Grasshopper Manufacture, 2011) é o que se pode esperar de um trio formado por Akira Yamaoka, Shinji Mikami e Suda51: um Resident Evil 4 um pouco mais evoluído com visão de mundo excêntrica e uma trilha sonora magnífica. É um título que, por sua temática, deve dividir opiniões, pois a mecânica do jogo, apesar de sólida, é também engessada para os padrões do Ocidente. Mas se você se amarra em games de tiro mais cadenciados, com quebra-cabeças elaborados e títulos "estranhos" em geral, Shadows of the Damned é uma boa pedida.


Nascido da iniciativa EA Partners, programa da Electronic Arts que procura lançar games de produtoras que não são do grupo, Shadows of the Damned não nega o DNA de seus idealizadores, os japoneses Akira Yamaoka (compositor de Silent Hill), Shinji Mikami (diretor de Resident Evil) e Goichi Suda (mais conhecido como Suda51 e autor de títulos como Killer7 e No More Heroes).


Pode-se descrever o novo game da Grasshopper Manufacture como um cruzamento de Resident Evil 4 e filmes de sabor mexicano de Robert Rodriguez, como A Balada do Pistoleiro ou Um Drink no Inferno. A essa fórmula já meio bizarra acrescente a excentricidade e o humor de Suda51 e a trilha sonora de Yamaoka, que, bem ou mal, não passa despercebido. Enfim, Shadows of the Damned é um game que pode ser acusado de tudo, menos de não ter personalidade.

sábado, 8 de outubro de 2011

Crítica: A Hora do Espanto


Recriar um filme que foi um dos grandes sucessos de sua categoria em outra época não é tarefa simples. Aparentemente consciente disso, a DreamWorks caprichou e reuniu o diretor Craig Gillespie, um elenco de primeiro escalão, uma roteirista cheia de experiência na categoria terror-comédia-juvenil (Marti Noxon, da série Buffy, a Caça-Vampiros) para fazer, 26 anos depois, A Hora do Espanto novamente.

Anton Yelchin é Charley, um nerd que faz tudo o que pode para parecer cool aos olhos dos amigos da namorada, a linda e popular Amy (Imogen Poots). Para não ser associado a seu passado, ele evita ao máximo falar com seu ex-melhor amigo, o supernerd Ed (Christopher Mintz-Plasse).

Ed, por sua vez, está no encalço do garoto para alertá-lo sobre algo muito importante: seu novo vizinho é um vampiro e está matando os jovens da cidade. Uma das mortes acontece durante a abertura do filme, e depois, em cenas corriqueiras da escola, percebem-se cada vez mais carteiras vazias.


Como mora em Las Vegas, Charley acha normal que uma pessoa trabalhe à noite e durma durante o dia, assim como considera que a cidade funciona como lar provisório para muitos, o que justificaria os sumiços repentinos. Ele só percebe que Ed estava certo quando... seria estragar a surpresa contar, mas o importante é que ele percebe.

Yelchin é uma das caras novas de Hollywood e, assim como Poots, cumpre muito bem sua função de jovem ora engraçado, ora apavorado. Mintz-Plasse, por sua vez, já tem milhares de fãs graças a sua atuação como McLovin, em Superbad - É Hoje (2007) e levanta as expectativas do público cada vez que entra em cena. Seu caçador de vampiros lembra muito o de Cory Haim em Garotos Perdidos (1987), filme que também parece ter sido usado como referência para o remake.


Os adolescentes, em teoria protagonistas, acabam funcionando como pano de fundo para a dupla Colin Farrel - o vampiro Jerry - e David Tennant, uma espécie de Criss Angel que é chamado para ajudar a combater o monstro. Farrel, usando todo seu charme, consegue ser apaixonante mesmo depois de beber o sangue de diversos inocentes e de ameaçar a vida de Toni Collete, a mãe de Charley. Já Tennant (o Barty Crouch de Harry Potter, outro filme que fica claro entre as referências) está sensacional como Peter Vincent, uma superestrela de Vegas, afetado e divertido no ponto exato. O resultado é pura diversão no cinema, perfeito para ser acompanhado com pipoca e refrigerante.

NOTA: 10

sábado, 1 de outubro de 2011

Descubra quantos escravos trabalham para você

Mesmo que você compre em empresas que procure manter o controle do impacto ambiental, não é nada fácil ser um consumidor responsável hoje em dia. Afinal, quem você acha que desenterra os minerais do seu smartphone ou colhe o algodão para a sua camiseta?

Pensando nisso, um novo site (que é também aplicativo para celular) determina a quantidade de trabalho forçado que você utiliza com base nos alimentos que você come e nos produtos que compra. O SlaveryFootprint consegue identificar o número de escravos que tiveram que trabalhar para você poder consumir observando as regiões onde o trabalho forçado é usado na produção de bens.

O projeto utiliza um complexo algoritmo para calcular esse número com base em questões sobre seu estilo de vida e hábitos de consumo. Você irá responder questões como quantas joias possui, se é nerd geek ou viciado em música, se tem remédios no armário e até mesmo se já pagou por sexo.

O SlaveryFootprint possui um banco de dados com informações sobre mais de 400 produtos divididos em suas matérias-primas. Nesse banco, cada produto possui uma pontuação - e o número de trabalhadores escravos utilizados. Assim que descobrir o número de pessoas que você escraviza, dá para divulgar nas redes sociais e convidar amigos e parentes para descobrirem também.

O aplicativo também está disponível para celulares Android e iPhone. A iniciativa foi desenvolvida em parceria entre a ONG Call+Response e o Departamento de Estado para Monitoramento e Combate ao Tráfico de Pessoas dos EUA.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Veja e conheça a história do novo clipe do Evanescence, "What You Want"


Quase desde o dia em que ela escreveu a música, Amy Lee se referiu a "What You Want" como sendo "realmente diferente" de qualquer outra música que o Evanescence já fizera. Então, quando chegou a hora de preparar um conceito para o vídeo, bem, como seria essa mudança?

"Nós estivemos trabalhando muito rápido, e ainda estávamos terminando o álbum, e isso foi quase no mesmo tempo em que tínhamos que gravar o clipe, e eu não tinha ideia nenhuma sobre o como ele seria, o que é meio estranho, porque geralmente eu tenho essas visões de como eles serão", Amy riu. "Mas a música é realmente diferente para nós, então eu sabia que não queria ir para o clássico, uma espécie de coisa épica e fantástica. Quer dizer, é totalmente épico, mas não queremos ir por esse caminho - eu queria fazer algo diferente".

Amy Lee convidou a sua irmã, Carrie, na gravação, no estúdio, para lhe dar algumas ideias frescas. "Ela é escritora. Eu ficava dizendo 'você bem que podia vir aqui sentar comigo e ouvir a música várias vezes e me dizer o que acha'", Amy relembra. "Ela começou a dizer que as coisas estavam indo muito bem. Ela disse 'Poderia ser em Nova York. Vocês precisam fazer algo diferente, essa música soa diferente', e também falou coisas como, por exemplo, sair correndo pela ponte do Brooklyn, que é onde eu moro, e fiquei, tipo, 'Meu Deus, isso é ótimo!'".

Amo mesmo tempo que você pode dar créditos a Carrie pela concepção básica por trás de "What You Want" - um clipe que relata a história do Evanescence, desde os seus primeiros dias de shows para fora dos suados clubes até a sua pausa recente, Amy Lee se mudando para a cidade de Nova York – a cena do clímax, em que a banda entra na onda em Coney New York Island, foi ideia de Amy. E, sim, há um profundo significado para ela.

"Aquela era minha parte. Eu meio que cheguei com a ideia daquele final. Sinto como se fosse a representação da banda voltando ao mundo", ela disse. "Temos uma base internacional de fãs muito grande, então sempre penso em nós saindo em turnê e muito dela, pra nós, é sobre o mar. Mas é um pouco mais que isso. Somos nós lidando com algo desconhecido, entrando em um novo mundo, voltando depois de muito tempo. Você viu o passado no resto do vídeo e aquele é o futuro desconhecido".

Claro que manter os companheiros de banda com aquela visão – uma nadada pela manhã era necessária – provou ser mais difícil do que Amy Lee tinha anteriormente antecipado. Mas, como em tudo envolvendo os integrantes do Evanescence atualmente, eles eventualmente concordaram em mergulhar juntos. Alguns menos dispostos que os outros.

"É, o Terry em especial não queria entrar na água", ela riu. "Estava um pouco fria, mas amei. Acho que os caras também"

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Prófugos: quem disse que seriado bom é só seriado americano?


Recentemente estreou na HBO um novo seriado. Descobri sem querer, navegando aleatoriamente pela internet. Li a sinopse e achei bastante interessante. Às 23h de domingo, quando começou o seriado, levei um susto. Como assim? Os caras estão falando em espanhol! Só então descobri que se tratava de um seriado chileno.

Não pude conter minha estupefação. Afinal, pela sinopse, o seriado prometia muitas cenas de ação. Será que um seriado chileno teria recursos pra fazer a história ficar interessante e realístico? Resolvi dar uma chance porque, afinal de contas, se trata de uma produção independente na HBO, e nunca vi a HBO fazer um seriado ruim (vide True Blood e Game of Thrones). Ainda bem que fiz isso!

Prófugos conta a história de quatro homens que fazem parte de
uma gangue chilena, cujo objetivo é fabricar drogas e transportá-la para a Europa. No decorrer do trama, porém, vários empecilhos atrapalham a jornada de nossos anti-heróis, e aos poucos são incorporados elementos como traição, suspense e uma boa dose de cenas de ação (que não ficam devendo nada a nenhum seriado norte-americano), tudo isso sob um enredo inteligente e envolvente.

Todo final de domingo agora tenho um compromisso com Prófugos, e super recomendo pra quem gosta do gênero ação.

domingo, 1 de maio de 2011

Thor: a esperança das adaptações de HQ


Geralmente, adaptações de HQs da Marvel ou da DC Comics são verdadeiras catástrofes - com raríssimas exceções, como Homem-Aranha e as últimas filmagens de Batman. Tudo levava a crer que com Thor a coisa não seria muito diferente. É legal estar errado quando ao filme nesse aspecto.

Thor (idem, EUA, 2011) mostra as origens do mais poderoso deus nórdico, ao menos na versão dos quadrinhos. Filho de Odin, chamado de "pai de todos", está prestes a se tornar o rei de seu mundo, Asgard, mas é banido do reino depois de causar uma guerra entre dois mundos por sua simples vontade de se envolver em batalhas. Quando li o enredo, imaginei que se trataria de mais uma adaptação fraca, como Motoqueiro Fantasma ou Quarteto Fantástico, mas tive uma agradável surpresa na sala de cinema ao perceber que é um filme divertido e envolvente, do começo ao fim.

Com atuações convincentes, momentos de humor bastante divertidos e uma história plausível, Thor é a prova de que filmes de super-heróis secundários podem sim ser mega-produçãões dignas de heróis top de linha (ou até melhores, já que as adaptações de Superman, até aqui, foram assustadoramente de péssimas qualidade).
Se você está aí em casa sem nada pra fazer nesse fim-de-semana, assistir Thor é uma boa pedida. Mas não precisa ser em 3D. Thor ainda é daqueles filmes que valem mais a pena assistir em 2D, já que os efeitos em três dimensões não são lá essas coisas. O único momento em que me lembro de ter pensado "nossa, que efeitos 3D legais" foi no final do filme, já nos créditos, no qual o espectador é levado a um passeio por entre constelações.

Nota: 8

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Baratas: por que existem, meu Deus?




Deus trabalhou durante seis dias, construindo o mundo perfeito, e no sétimo descansou. Fica a pergunta que não quer calar: por que Deus criou as baratas? Dizem que tudo o que Deus criou era bom. Então baratas foram criadas por Lúcifer?

Qual é o propósito das baratas? Por que elas estão nesse mundo? Apenas para fazer as pessoas sofrerem e gritarem, para expulsarem-nas de seus quartos? Por que elas se multiplicam tão rapidamente? Todos os sprays inseticidas do mundo não parecem ser suficientes para exterminar essas criaturas repugnantes!!!

Genocídio às baratas! Essas coisas não são do bem, não! Genocídio às baratas!

domingo, 12 de dezembro de 2010

The Walking Dead: um seriado que faz jus ao nome


Antes do primeiro episódio estrear nos Estados Unidos, todos falavam de The Walking Dead. Com estreia no dia de Halloween, tinha tudo pra ser o seriado mais aterrorizante de todos os tempos, deixando pra trás o aclamada Supernatural (que, convenhamos, não dá medo algum). A hashtag #TheWalkingDead era uma das mais usadas no Twitter e todos esperavam ansiosamente o dia da estreia.

A estreia chegou e, quando assisti ao episódio, pensei: "tanta propaganda pra isso?". Não que o episódio tivesse sido ruim. Apenas estava muito aquém das expectativas que o próprio serviço de marketing do seriado me proporcionou. Não há nada mais perigoso para a vitalidade de um seriado ou filme do que quando sua propaganda é infinitamente superior ao produto em si, pois acaba ocasionando no público um sentimento de decepção. Decepção, eis a palavra que descreve muito bem esse seriado.

No segundo episódio, a narrativa melhorou exponencialmente. Mais ação, menos falatório. Foi o melhor episódio de todo o seriado. E ouso dizer que foi o único episódio realmente bom de The Walking Dead. Tal qual os mortos vivos que o compõem, o seriado conta sua história tão devagar que às vezes você chega a pensar que o roteirista também é um morto-vivo. Quatro longos episódios passaram-se contando a mesma coisa, com os mesmos personagens enfrentando os mesmos dilemas, no mesmo cenário.

Quando os caras vão pra cidade procurar armas, ou quando zumbis invadem o acampamento no qual as pessoas estavam se refugiando e você
pensa que tudo vai mudar, volta-se sempre ao mesmo lenga-lenga. Até mesmo no último episódio da primeira temporada, quando supõe-se que algo extraordinário vai acontecer para fazer um gancho para a próxima temporada, você descobre, no fim, que estavam mais uma vez te enrolando. Apenas a mesma fórmula dos episódios errantes anteriores: algo muito louco acontece, você acha que aquilo vai mudar completamente o trama, mas, no final, eles sempre voltam à estaca zero. O enredo não se mexe em The Walking Dead. É um enredo morto-vivo, mais morto do que vivo.

Tanta propaganda pra isso?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os materiais obscuros de Deus

Quem entra em fóruns de livros de fantasia internacionais se surpreende quando descobre que a trilogia His Dark Materials, do inglês Philip Pullman, foi batizada no Brasil como Fronteiras do Universo. Uma tradução bastante desinteressante, que tem mais potencial para atrair os nerds da Física do que fãs do gênero.

Quem botar as mãos - e também os olhos, de preferência - em Fronteiras do Universo irá perceber que não se trata de teoria das cordas ou viagens no tempo, mas de uma ótima obra fantástica criada por um autor da mesma época de Tolkien. Por esse motivo, a partir daqui não me referirei ao livro como Fronteiras do Universo, tratando-o por seu nome original. Basta ler os primeiro capítulo da saga para perceber que o "his" de His Dark Materials refere-se a Deus. E é também por isso que, na minha opinião, deveria ser mais popular (a obra é bombada apenas no Reino Unido), mas mais à frente digo por quê.

His Dark Materials é uma trilogia composta por vários mundos alternativos. Em A Bússola de Ouro, primeiro livro da série, Lyra Belacqua é criada por catedráticos numa cidade universitária de Oxford, onde crianças começam a desaparecer misteriosamente, sequestradas por pessoas a quem os habitantes dão o nome de goblers. Após conhecer a Sra. Coulter, uma importante e influente mulher da alta sociedade, a garota é adotada e deixa a universidade para aprender com ela, levando um objeto que lhe é entregue às pressas: o aletiômetro, a bússola de ouro, capaz de mostrar a verdade. Com auxílio desse instrumento, ela descobre mais sobre a Sra. Coulter, que tem muitos segredos a serem revelados e se mostra completamente diferente daquilo que aparentava ser.

Nas continuações, ocorre muita traição e mistérios, aos poucos revelados. Todas as teorias que você fica mirabolando durante a leitura e que parecem fatos irreversíveis podem se desmoronar e você se decepcionar com aquele personagem bom e fofinho, ou mesmo vir a admirar aquele a quem creditava o papel de bandido. A mensagem que Pullman quer passar? Que não há dualidades - bem versus mal - mas que todos têm seu caráter alterado conforme pede a situação. A essa teoria do autor, adiciona-se apenas uma exceção: a Igreja. Para ele, esta é sempre a vilã.

No mundo de His Dark Materials, Pullman utiliza a retórica para dar a entender que a Igreja (no livro, chamada de Magisterium) controla todo o mundo ocidental, e provavelmente o oriente também, através de muita manipulação e conspirações pela supremacia.

Não é à toa que a saga causou uma grande polêmica na época que foi lançada. Em extrema contraposição com C.S. Lewis, que publicava As Crônicas de Nárnia, que muitos dizem ser uma "bíblia para crianças", Pullman se indignava com a política das igrejas de sua época, criticando-as e chamando a todas, sem exceção, de manipuladoras.

É em decorrência dessa crítica, muito apropriada para o tempo em que o autor viveu, que a obra deveria ser mais conhecida. Quer dizer, além de conter uma história envolvente, faz uma crítica que, para seu tempo, foi ousadíssima! Infelizmente Hollywood não fez bem seu papel de disseminar a estória. A adaptação para os cinemas de A Bússola de Ouro foi um fracasso, o filme foi encerrado numa parte muito nada a ver, e a atuação de Nicole Kidman foi um desastre. Se colocássemos uma boneca de plástico em seu lugar, mal notaríamos a diferença, já que as expressões no decorrer do trama permaneceriam as mesmas.

Se você assistiu o filme e detestou, não se assuste. O livro, como ocorre com todas as obras literárias que viraram filmes (com raras exceções, como Senhor dos Anéis), é muito melhor. Se você ainda não leu His Dark Materials, não sabe o que está perdendo.

Meta: Disney World


Lembro-me como se fosse ontem: meu pai me levava à locadora perto de casa e, na sessão de desenhos, eu sempre escolhia um VHS (fita K7, vejam vocês!), de preferência um que fosse da Walt Disney. É difícil imaginar uma criança que não goste dos desenhos da Disney. Se você foi uma dessas crianças, lamento dizer, mas na minha opinião ela foi uma droga. Por que, afinal, a infância deve ser repleta de magia, e magia é especialidade da Disney!

Ouso dizer que quem não passava o final da década de 90 assistindo, às 18h, a TV Cruj, repleto de desenhos da Disney, não soube aproveitar o que houve de melhor na época. Quem nunca assistiu Branca de Neve e os Sete Anões, ou quem nunca se emocionou com o final de Pocahontas, não viveu uma das maiores experiências que o mundo do cinema pode te proporcionar.

Sempre que terminava de ver os filmes da Disney, voltando às extintas fitas K7, eu via a propaganda que enchia meus olhos... a do fantástico mundo de Walt Disney World (redundante, é verdade, mas era exatamente assim que anunciavam). Desde então, visitar o Magic Kingdom tem sido meio que um objetivo de vida. Se me perguntarem qual é meu sonho de consumo, não responderei que é um carro, nem uma casa com piscina, nem mesmo um prêmio bilionário na Mega Sena. Simplesmente me deixem tirar uma foto com o Mickey na Disneylândia!

Por isso neste exato momento estou agora estabelecendo uma meta, e deixando registrada: até 2015 eu irei para a Disney. Espero que o mundo não acabe até lá. Me deixem antes tirar uma foto com o Mickey!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

American Music Awards 2010, piada atrás de piada!


Ontem (ou hoje, por volta da 1 da manhã) aconteceu o American Music Awards 2010, premiação da rede de televisão americana ABC. O evento contou com grandes apresentações, como Pink!, Ne-Yo e Christina Aguilera. Destaque para a primeira, que conseguir transformar o palco num show de cores. Ressalvas para a última, que mostrou sem medo nenhum algumas estrias que estavam saltando de sua perna. Isso é natural, é claro. Mas convém às divas, podres de dinheiro, colocar pelo menos uma maquiagenzinha pra esconder, né?

Apesar de ser um evento musical, em vários momentos os telespectadores tinham a impressão de estar em um stand-up comedy. Principalmente pelo vencedor da noite: Justin Bieber faturou o prêmio de artista do ano, deixando pra trás Lady Gaga, Katy Perry, Eminem e Ke$ha. Veja bem, não estou dizendo que Bieber é um artista ruim, ele até que canta bem e dança de forma razoável, mas ficar à frente de Lady Gaga, Katy Perry e Eminem? Só pode ser uma piada! E uma piada de muito mau gosto!

Como se não bastasse, ao receber o prêmio e revelando a inabilidade em discursar para uma multidão, normal em um artista precoce de 17 anos (mas que aparenta 14), Bieber agradeceu à família e ao irmão e às tias e ao cachorro, não depois de soltar essa: "Muito obrigado também a você, Michael Jackson". Tipo, hã?

domingo, 21 de novembro de 2010

Glee, os perdedores


Líderes de torcida e jogadores de futebol ocupam o topo da cadeia alimentar. Nerds e jogadores de RPG, a parte de baixo. Os integrantes do Glee, clube musical de uma escola pública norte-americana? Ah, esses ficam no sub-solo. Pelo menos o que diz a treinadora das cheerleaders, Sue Sylvester, e principal inimiga de Will Schuester, professor de espanhol e diretor do clube Glee.

Claro que estou falando do seriado Glee, que desde sua estreia tem feito um estrondoso sucesso em todo o mundo. Não é pra menos: o seriado inovou trazendo musical de qualidade, misturando músicas clássicas com atuais, aquelas que tocam no rádio ou fazem parte do top da Billboard. O que chama atenção, além disso, é o fato de que as músicas escolhidas sempre têm alguma relação com o momento do enredo, ajudando a compreender os sentimentos e motivações dos personagens do seriado.

Apesar de ter um enfoque musical, Glee possui um enredo que vai evoluindo conforme o passar dos episódios, e passa por temas que costumam afligir jovens em fase de ensino médio: bullying, insatisfação com o próprio corpo, popularidade, ser aceito pela sociedade em detrimento de suas próprias vontades, ou crenças individuais que causam dúvidas, em meio ao turbilhão de opiniões vindas de pessoas acima de você na "cadeia alimentar" descrita no início deste post.

Apesar de tudo correr sob um clima cômico, o
seriado faz muitas críticas implícitas sobre a forma como a sociedade dá suporte ao processo de evolução da personalidade dos jovens. O maior exemplo seria Kurt, o único personagem gay assumido da escola, que frequentemente é atirado contra o armário por conta de sua orientação sexual. Como se isso não bastasse, todas as outras pessoas, inclusive professores, fingem não ver o que acontece com ele diariamente. Mera coincidência com o que vemos no mundo real?

O seriado também conta com outras minorias, como Santana, uma adolescente obesa, que vê sua vida dificultada, num dos episódios, quando tenta se tornar uma líder de torcida. Claro que teria, antes, que passar pelo crivo de Sue Sylvester, que já havia dito que "tudo o que eu quero é somente um dia no ano em que eu não seja agredida visualmente por feios e gordos. Sério, Ohio, essas retinas precisam de folga". Numa das apresentações mais emocionantes da série, em que canta Beautiful, da Christina Aguilera, Santana mostra que todos podem ser felizes do jeito que são, porque todos são diferentes e o mundo seria uma droga se todos pensassem e agissem da mesma forma. Um casal de asiáticos também sofre com o preconceito vindo de loiros de olhos azuis.

O mais impressionante é que, como se trata de um seriado bobinho, à primeira vista, seria de se esperar que o "bem" sempre vencesse no final. Não é o que acontece em Glee. Em muitos dos
episódios você pode se surpreender com eventos trágicos ou, quando está certo de que os membros do clube conseguirão alguma realização importante, tudo pode vir por água abaixo de uma hora pra outra. Não tão diferente do que acontece na vida real, se formos analisar. É por essas e outras que Glee é um fenômeno internacional, e o continuará sendo, como já percebeu Sue Sylvester, que escreve em seu diário, num dos episódios: "Toda vez que eu tento destruir aquela ninhada de respiradores de sarna bucal, ela só volta mais forte. Como algum vilão de filme de terror sexualmente ambíguo".

Pra encerrar, coloco abaixo o vídeo de um mash-up muito criativo feito no último episódio, em que misturaram Umbrella, da cantora Rihanna, com o clássico Singin' in the Rain, do musical homônimo:

sábado, 20 de novembro de 2010

Minhas impressões sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte 1


Nunca escondi de ninguém que sou fã da saga Harry Potter, vide meu post da quinta-feira passada. Mas também nunca foi segredo que acho as adaptações feitas para o cinema péssimas, pelo menos de O Prisioneiro de Azkaban pra frente. Bom, pelo menos até agora.

ATENÇÃO! ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!

A primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte, em extrema contraposição com o que a crítica vem pregando, me chamou a atenção por sua fidelidade e dinamismo, mesmo que para uma
primeira parte. Antes de assistir ao filme, li críticas, como a de Isabela Boscov, dizendo que o roteiro é parado e, por vezes, entendiante. Ainda bem que há muito tempo eu parei de levar em consideração o que a crítica diz antes de assistir a um filme. Pra mim, ler uma crítica de um filme é como ler o horóscopo: você vê por curiosidade, mas entende que nada daquilo é a verdade absoluta.

Pois bem. As Relíquias da Morte prenderá atenção de todos, fãs da série e espectadores casuais. O clima de suspense está mais em alta do que nunca, e as cenas cômicas, embora poucas, arrancam uma boa gargalhada da platéia. Até um dos efeitos que só aconteceram comigo uma vez da vida, com o final Atividade Paranormal, que me fez dar um pulo da cadeira, se reproduziu neste longa, logo no começo do filme, quando a cobra de Lord Voldemort, Nagini, abre o bocão, mostrando os dentes afiados, e avança na direção da câmera!

Além disso, o longa inovou. Quando Hermione começa a contar o conto dos três irmãos bruxos
que driblaram a Morte, d'Os Contos de Beedle, o Bardo, uma animação muitíssimo bem feita se desenrola para simular a lenda do mundo bruxo.

Mas claro que nem tudo poderiam ser flores. Apesar de ser bastante fiel ao livro com relação aos filmes anteriores, alguma coisa soa errada na cena em que Harry tira Hermione para dançar. Os produtores tentaram pintar um clima entre os dois que não existe, talvez para justificar uma briga de Rony que acontece no decorrer do longa.

Fora esse pequeno detalhe, porém, posso dizer com toda a certeza que, dessa vez, toda a ansiedade pelo que estava por vir valeu muito a pena. Quase chorei numa das cenas finais do filme (a morte de Dobby), em que deram um tom bastante emocionante, e o fechamento foi perfeito. Você sai do cinema com uma sensação de "poxa, já acabou, que rápido...", mas quando olha para o relógio percebe que se passaram duas horas e meia desde entrou na sala.

Já estou contando nos dedos os dias que faltam para 15 de julho de 2011, quando estreará a segunda parte d'As Relíquias da Morte. Sei que é muito tempo, mas faz parte daquela ansiedade nostálgica de que falei anteriormente, lembra? E, no que depender de Matthew Lewis, o ator que interpreta Neville Longbottom, podemos nos preparar para sentir o dobro de emoções que a primeira parte nos proporcionou. Segundo ele, "a segunda parte é muito melhor. (...) Parece um filme de guerra, cheio de ação e explosões". Sem contar que é o final da saga, né? Haja coração!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Batalha do Apocalipse: a nova era da literatura brasileira


Pode ser que os tempos em que pensamentos enfadonhos apareçam em nossa mente quando toca-se no assunto "literatura brasileira" esteja com seus dias contados. Diferentemente do que as escolas e vestibulares podem te fazer acreditar, literatura brasileira não se refere apenas às múmias da Academia Brasileira de Letras (com todo respeito), como Machado de Assis - um ótimo escritor, José de Alencar - um terrível escritor, ou Álvares de Azevedo - um escritor razoável.

Acredito que, futuramente, uma nova escola literária será adicionada aos tempos atuais: o Fantasionismo. Nunca antes na história deste país, para parafrasear uma figura mitológica de nossa fauna - o próprio presidente, se produziu tantas obras fantásticas. Mas, o que é melhor, obras fantásticas muito boas, que não devem nada a escritores internacionais em matéria de qualidade.

Dentre exemplos recentes, temos Paulo Coelho e André Vianco. Quanto ao primeiro, já ouvi várias pessoas rechaçando suas obras. De qualquer forma, se seus livros não fossem bons, não se justificaria o sucesso e destaque internacional que o autor vemalcançando. Eu, particularmente, adorei O Alquimista. Se eu tivesse que fazer um Top 20 dos livros que marcaram minha vida, esse com certeza
entraria na lista. Com relação a André Vianco, confesso que nunca o li. Porém, de todos os meus amigos que acompanharam pelo menos uma de suas obras só ouvi elogios. Pretendo começar a ler os livros dele assim que possível.

Mas o post de hoje será dedicado a um escritor relativamente novo, e que você provavelmente não conheça: Eduardo Spohr. Em seu perfil no Twitter (@eduardospohr) ele se descreve como "escritor, jornalista, professor universitário, blogueiro, podcaster, filósofo de botequim e PHD em contar piadas sem graça". Quem lê seu último grande sucesso, "A Batalha do Apocalipse", logo
entende o porquê dessa última afirmação. O dom de Spohr parece mesmo ser colocar toda sua criatividade (que não é pouca) no papel e criar estórias épicas com uma pitada de sombrio, cheias de aventura e ação, envoltas numa narrativa surpreendente.

Estou apenas na metade de A Batalha do Apocalipse, uma obra grandiosa de 586 páginas, mas já tenho certeza de que não irei me decepcionar. O que posso dizer é que não consigo parar de ler! Na verdade, agora mesmo, enquanto escrevo este texto, já estou imaginando que assim que desligar o computador vou pegar o livro e virar a madrugada lendo. Aparentemente, não sou só eu quem pensa assim. José Louzeiro, escritor e roteirista, diz que "não há na literatura em língua portuguesa conhecida nada que se pareça com A Batalha do Apocalipse". Segue abaixo sinopse do livro, retirada da contra-capa do mesmo:

"Há muitos e muitos anos, tantos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania nos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o Dia do Juízo Final.

"Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas. Único sobrevivente do expurgo, Ablon, o líder dos renegados, é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro da humanidade.

"Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano, das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval, A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana - é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, repleto de lutas heroicas, magia, romance e suspense."

A sinopse resume bem o espírito do livro, mas o enredo é tão diverso que seria impossível passar
uma impressão geral do mesmo em apenas três parágrafos, ou mesmo em um post. Tenho certeza de que, se num futuro distante existir mesmo algo como a escola literária Fantasionismo Brasileiro, A Batalha do Apocalipse será um dos objetos de estudo principais.

Assim, fica aqui a sugestão para você que curte um bom épico e se sentiu órfão depois que terminou sua saga fantástica favorita: A Batalha do Apocalipse preenche essa lacuna. E muitíssimo bem!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu estou esperando ansiosamente por Harry Potter 7. E você?


Meados de 2007. Todos aguardavam ansiosamente pelo livro final da saga Harry Potter, que finalmente responderia às dúvidas mais quentes dos últimos anos: Harry Potter morreria no final? E Lord Voldemort? Conseguiria manter sua sobrevivência para, posteriormente, um novo volume da saga mágica ser lançada novamente por J.K. Rowling? E Dumbledore? Ah, qual é, você acha realmente que ele morreu? Claro que não, amigo, aquilo era só um truque para enganar os Comensais da Morte!

Bons tempos aqueles. Tempos em que podíamos passar as tardes em uma rede, debaixo de uma árvore, devorando a sequência de Rowling, lendo e relendo os capítulos que te transportavam a um mundo mágico, em que por alguns momentos de total submersão você encarnava o personagem e sofria junto quando Grifinória perdia pontos, ou comemorava quando a Sonserina era humilhada na entrega da Taça das Casas.

Harry Potter marcou minha adolescência, e a de várias outras crianças e jovens também. Lembro-me de, pouco depois de ter completado os 11 anos, ter ido dormir, certa noite, depressivo por não ter recebido uma coruja me convidando para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Tá, não precisava ser Hogwarts, necessariamente. Num dos livros não é dito que Percy trocava cartas com uma bruxa de uma escola brasileira? Podia ser essa então, mas apenas queria poder ter uma vida de aventuras tal qual a do bruxo da estória...

Depois de três anos do fim da série, nos livros ao menos, os fãs podem reviver toda essa expectativa que sentiam anos atrás, esperando por mais aventuras do bruxo, que nos faziam devorar cada página tão desesperadamente (tem gente que insiste em não acreditar, mas li "O Prisioneiro de Azkaban" inteiro em um dia, acompanhado de alguns pacotes de wafer de chocolate). Algumas pessoas não entendem e, pior do que simplesmente não assistir, ficam fazendo pouco de quem realmente gosta da série.

Na minha faculdade, por exemplo, um fã de Senhor dos Anéis começou a discutir comigo a validade literária de Harry Potter e sobre o fato de os filmes terem sido muito ruins até agora. Quanto a esse argumento, concordo em partes.

Pra começar, o que é necessário em uma obra para que ela seja considerada valiosa? Ora, se você gosta dela, é claro! Pra mim, livros do Sidney Sheldon, que são considerados por muitos críticos como lixo literário, fica muito a frente dos livros do José de Alencar, por exemplo. Iracema, um dos ápices do autor, é um porre. Pra mim foi uma tortura ficar lendo todas aquelas comparações, repetitivas e exaustivas. Enfim, o que quero dizer é: por que as pessoas não pensam por elas mesmas, porra? Tem gente que gosta de Restart mas tem vergonha de admitir porque as "pessoas superiores" esculacham a banda.

Ok, estava falando de Harry Potter e já pulei pra Restart, mas só precisava de um exemplo, digamos, atual e corriqueiro. No auge de Harry Potter, tolkianos empinavam o nariz e diziam que Harry Potter era uma porcaria, se comparada à saga dos anéis, e muita gente simplesmente deixava de ler, ou fingia que não gostava, para não se juntar aos "inferiores". Na minha singela opinião, inferiores são aqueles que se deixam levar pela cabeça dos outros. Aliás, esse é um tópico interessante para um outro post, mas voltemos a este.

Não tenho vergonha de estufar o peito e dizer que assistirei Harry Potter nesse final de semana, porque, antes de ser uma obra infanto-juvenil, é um conto que faz parte da minha vida. Mas falo dos livros, é claro (embora a versão cinematográfica de Harry Potter e a Pedra Filosofal é quem tenha me inserido na obra escrita). As versões de cinema de A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta foram até razoáveis, na minha opinião. A partir de O Prisioneiro de Azkaban, porém, tudo começou a desandar, e cada novo filme foi ficando um tanto quanto mais lamentável.

Não conseguirei explicar exatamente o que, exatamente, mudou, mas uma mudança no "clima" a partir do terceiro filme é facilmente notada. A história voltada à magia dos dois primeiros longas passou a se voltar para tramas adolescentes, muitas vezes mais forçados do que os apresentados no livro. É óbvio que os personagens cresceram e, assim, também seus hormônios começaram a florescer, mas o filme explorou isso de uma forma exagerada se comparada às tramas principais que, na verdade, são o que realmente importa.

Em Relíquias da Morte, há espasmos de esperança. Só o fato de a última obra ter sido divida em duas partes já significou bastante para os fãs. Antigamente o que se via era a reclamação de vários pontos que haviam sido cortados por falta de tempo. Quem sabe agora, em pleno final da saga, não conseguem reproduzir toda a magia que o livro nos proporcionou? No caso do livro, em 2007, toda a espera valeu muito a pena. Caso o filme não cumpra sua função, pelo menos teremos vivido um pouco dessa magia nostálgica de ansiedade que marcou uma parte importante de nossas vidas.