segunda-feira, 7 de julho de 2008

Órion - Primeiro Capítulo: Cabeça do Cavalo

Eu não gosto muito de falar em constelações porque elas tem um valor astronômico bem limitado, apenas utilizamos as constelações para identificar regiões no céu e nada mais. Mas nos próximos posts vou falar um pouco sobre alguns objetos que ficam na constelação de Órion, o caçador. Resolvi fazer esta série para mostrar um pouquinho ao leitor que quando vemos uma imagem bonita precisamos sempre lembrar da escala da imagem, ou seja, do tamanho físico do objeto. Lembrem que o espaço é tridimensional, mas quando olhamos para o céu vemos apenas duas dimensões. A terceira dimensão, que é a distância entre o observador e o objeto, não é obtida diretamente da imagem. Vou começar mostrando uma imagem reveladora que o Hubble fez há alguns anos atrás de uma nebulosa em Órion conhecida como Cabeça do Cavalo que está a 1.600 anos-luz de distância. O lado maior da imagem tem por volta de 2,2 anos-luz. Vejam no alto da cabeça os primeiros sinais de que estrelas estão nascendo dentro da nuvem gasosa e empoeirada.

Clique aqui para ver a imagem em alta resolução. Nos outros posts vamos nos afastar da região até ver a constelação toda, sei que alguns leitores vão gostar ;-) Boa viagem!

Por Duilia de Mello, no site da Super.

As tevês de cristal líguido vão acabar

Esqueça a fome, as guerras e o aquecimento global... o grande problema da humanidade é outro: as telas de LCD vão acabar! É isso aí: as reservas mundiais de irídio, mineral usado na fabricação da tela, devem se esgotar em 10 anos. É claro que existem outras tecnologias para fazer tevês fininhas, mas são primitivas (plasma), nada confiáveis (OLED) ou caras pra burro (laser). Isso sem falar nos notebooks, onde nenhuma delas funciona. E agora? Será que, em 2018, os laptops vão acabar e todo mundo vai voltar às primitivas televisões de tubo? Credo!

Por Bruno Garattoni, no site da Super.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Índio High Tech

Passando em frente ao imponente prédio do Google, na Califórnia, em 2006, o índio brasileiro Almir Suruí teve um insight: aquela gigante organização poderia ajudá-lo a salvar a Amazônia, mais especificamente, as terras dos Suruís, no estado de Rondônia.

É que, segundo a ONG Kanindé, todos os dias, 200 caminhões transportando madeira ilegal saem da região impunemente. Cansado de pedir ajuda ao IBAMA, à FUNAI e à Polícia Federal para conter a situação, sem que nada fosse feito de fato, Almir resolveu ir até os EUA para chamar atenção do mundo para o problema.

Quando conheceu o Google Earth, o índio ficou impressionado com a capacidade da ferramenta em revelar as áreas de desmatamento pelo mundo e viu ali um novo instrumento para que seu povo pudesse monitorar melhor as próprias terras e tentasse se defender das madeireiras.

Ele não só marcou uma reunião com o Google e passou 4 horas no prédio da empresa contando sobre as invasões em Rondônia, como conseguiu que eles viessem ao Brasil há três semanas para conhecer o local de perto e firmar uma parceria com os Suruís.

Além de ter a região mapeada, até agora, duas oficinas já foram ministradas por instrutores do Google – uma em Cacoal, onde ficam a aldeia dos Suruís, e outra em Porto Velho, capital do estado – para capacitar os índios e os demais habitantes da região a utilizarem as ferramentas digitais e disponibilizarem na internet informações sobre as atividades irregulares na floresta.

Além de o mundo todo ficar sabendo do que tem acontecido por lá, as autoridades passam a ter informação em tempo real sobre a atuação dos madeireiros e não têm desculpa para não agir contra isso.

Almir é constantemente ameaçado de morte, mas continua se movimentando em prol da Amazônia. Juntamente com o GTA – Grupo de Trabalho Amazônico, ele aproveitou a presença estrangeira, no mês passado, para lançar um dossiê que denuncia a ação das empresas que estão por trás da extração ilegal da madeira e aponta nomes de políticos possivelmente envolvidos no esquema (leia “O fim da floresta?” no site da ONG Kanindé).

Sony copia Microsoft. E manda bem!


Esta semana a Sony lançou uma atualização para o PlayStation 3 que basicamente copia os “achievements” do Xbox 360 e dá a eles o nome de “troféus”. Eu acho que demorou até e não entendo por que o Wii não tem o mesmo. Para quem não conhece, o sistema é o seguinte: quando você termina o jogo, ganha, digamos, 200 pontos (ou um troféu, no PS3). Se você terminar no nível mais difícil, mais 250 pontos; se conseguir matar 500 inimigos com tiros na cabeça, outro tantão de pontos, e por aí vai. A soma de tudo isso é o seu “gamerscore” (ou galeria de troféus), que fica lá ao lado do seu perfil pra todo mundo ver e, como o número de fãs no Orkut, mostram o quanto você é bom (ou tem tempo de sobra, enfim) na jogatina. Notem a ironia.


Eu acho que esse lance de achievements foi uma sacada genial, que nem começou com a Microsoft (diria que veio do Pogo.com, site de jogos casuais da EA). Podem aumentar bem a longevidade do jogo pra quem é minimamente competitivo ou gosta de se desafiar. Raramente eu jogo um jogo de novo do início ao fim (estou fazendo isso com God of War pra ver o God Mode), mas os achievements do Xbox 360 dão esse incentivo. Depois de fechar o Guitar Hero 3, fiquei várias horas para fazer uma música com 100% no Expert (não consegui, errei umas 4 notas várias vezes, desisti). Mas provavelmente o jogo já teria se esgotado antes. Rock Band continua firme lá, já que agora meu objetivo é tocar em todos os shows em todas as cidades. Só pra ganhar um novo selinho lá que eu sou, digamos, dedicado. Outra boa coisa que saiu no update do PS3 (que deu problema pra várias pessoas, vejam só...) é o XMB in-game. Em outras palavras, você pode ouvir e controlar algumas músicas, conversar com amigos e jogar ao mesmo tempo (nem todos os jogos suportam). Sim, o Xbox 360 já tinha isso. Não é vergonha imitar a Microsoft, Sony, os donos de PS3 agradecem. E, vantagem para os copiadores: a PlayStation Network é gratuita, ao contrário da Xbox Live.

Por Pedro Burgos, no site da Super.

Somos poeira de estrelas...


Posts anteriores eu mostrei aquela faixa vermelha no céu que pertence ao que sobrou da estrela que explodiu em 1006. Como eu sei que o pessoal gostou muito da imagem e ficou curioso, resolvi publicar também a imagem que mostra aonde a faixa está localizada em relação à estrela anã branca central. A bolha de gás que foi lançada ao espaço durante a explosão, e que os astrônomos chamam de remanescente, tem 60 anos-luz de diâmetro e continua em expansão. É assim que os elementos químicos produzidos no interior das estrelas são enviados ao espaço. Estes elementos químicos são os mesmos que encontramos na Terra, na natureza, nos nossos corpos. Por isto dizemos que somos feitos de poeira de estrelas. Bonito, né? A imagem é uma combinação de várias outras tiradas com o Chandra (Raios-X), com o VLA (Rádio), com o CTIO (óptico). Lá no alto à direita está o local da faixa.

Por Duilia de Mello, no site da Super.

O que provocou o apagão da internet?


Que treta, hein? Como a polícia, os bombeiros, a CET e milhões de pessoas aqui em São Paulo, fiquei sem internet ontem. Foi um apagão histórico, que está na capa de todos os jornais. Só que ninguém conseguiu explicar o mais importante: o que, afinal, causou a pane? A Telefônica dificilmente vai contar - o mais provável é que os caras dêem uma explicação meio fajuta e o caso seja esquecido. Mas dá para fazer alguns raciocínios:

1. Aparentemente, o problema começou no DNS. DNS? É: Domain Name System, o sistema que "traduz" os endereços dos sites. O verdadeiro endereço do YouTube, por exemplo, não é youtube.com. É 208.65.153.253. Já pensou se você tivesse que decorar os números de todos os seus sites preferidos? Seria um caos. Ao que tudo indica, os "tradutores" da Telefônica pifaram ontem. Isso porque alguns usuários do Speedy, que reconfiguraram seus computadores para utilizar DNS alternativos, conseguiram acessar a internet mesmo durante o apagão.

2. Aí, a coisa ficou pior. Todo computador ligado à internet é identificado por um número: o endereço IP (veja qual é o seu acessando o site showmyip.com). Cada país tem um lote de endereços IP, que são repartidos entre os seus internautas - cada pessoa ganha um. Quando a pane da Telefônica começou a se normalizar, ontem à noite, e os usuários do Speedy foram se reconectando à internet, alguns perceberam uma coisa estranha: seus computadores tinham ganho endereços que não pertenciam ao lote brasileiro - eram dos Estados Unidos!

Isso sugere que a Telefônica possa ter sofrido uma segunda pane: desta vez, no sistema que distribui os endereços IP (o Dynamic Host Configuration Protocol, ou DHCP). E, para contornar o problema, usou um DHCP localizado em outro país.

3. O que, ou quem, causou tudo isso? Só os engenheiros da Telefônica podem dizer ao certo, mas a coisa toda me parece estranha. Os sistemas DNS e DHCP são relativamente simples, e dependem de poucas máquinas. Em caso de problemas, não é difícil consertá-los. Então houve hackers na jogada? Sempre é possível. Mas, para causar tanto estrago, é preciso sofisticação: descobrir falhas de segurança nos equipamentos de rede da Telefônica e desenvolver um método para explorá-las. Mas peraí. Grande parte da internet usa equipamentos Cisco. Se você tivesse um método infalível para arrebentá-los (um "zero-day exploit", na gíria dos especialistas), por que começar por São Paulo? E por que parar na Telefônica? Por que não atacar NET, Brasil Telecom e outros que usam equipamentos similares? Que tal um apagão mundial? Com um zero-day exploit das máquinas Cisco, dá para fazer. Mas ninguém fez - provavelmente, porque não tem bala na agulha.

Isso meio que descarta a hipótese de superataque.

4. Provavelmente, a coisa foi banal. A Telefônica fala em defeito "complexo e raro", sem dizer o que é. Sabe o que eu acho? Alguém esqueceu de instalar alguma atualização de segurança, e o sistema foi vítima de um ataque meio pé-de-chinelo. Ou então os técnicos estavam mal-preparados para lidar com falhas previsíveis. Será? Ou essa acusação é injusta? Vamos ver se aparecem mais informações a respeito.

Por Bruno Garattoni, no site da Super.

Picadinho selvagem


Se você é fã de picadinho, vai adorar esse estudo: “O esqueleto de um micromamífero sob os efeitos digestivos do ser humano”. Parece nojento? É muito mais do que isso. Dois antropólogos da Universidade Estadual de Nova York contam na pesquisa como um deles comeu - e excretou - uma Blarina brevicauda (foto acima).

Segundo a publicação, esse foi um estudo preliminar sobre a digestão humana e seus efeitos em esqueletos. Os cientistas primeiro tiraram o pêlo do animal e suas vísceras, depois cozinharam a carcaça por 2 minutos e engoliram as porções sem mastigar.

As fezes do pesquisador cobaia foram coletadas durante três dias e separadas para análise. Aquilo que não foi digerido completamente foi separado do resto (eca) para um diagnóstico, para encontrar os ossos que não haviam sido digeridos. Surpresa geral: quase tudo sumiu. Inclusive a mandíbula, que tem um tamanho considerável, e também as pernas. O crânio, no entanto, apesar de danificado, apareceu.

Para os estudiosos, como os pedaços não foram mastigados – o que destruiria boa parte dos ossos – os danos foram causados apenas pelos ácidos do estômago. Genial, fala aí? E eles fizeram tudo isso sem ganhar um centavo.

Por Nina Weingrill, no site da Super.