segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Baratas: por que existem, meu Deus?




Deus trabalhou durante seis dias, construindo o mundo perfeito, e no sétimo descansou. Fica a pergunta que não quer calar: por que Deus criou as baratas? Dizem que tudo o que Deus criou era bom. Então baratas foram criadas por Lúcifer?

Qual é o propósito das baratas? Por que elas estão nesse mundo? Apenas para fazer as pessoas sofrerem e gritarem, para expulsarem-nas de seus quartos? Por que elas se multiplicam tão rapidamente? Todos os sprays inseticidas do mundo não parecem ser suficientes para exterminar essas criaturas repugnantes!!!

Genocídio às baratas! Essas coisas não são do bem, não! Genocídio às baratas!

domingo, 12 de dezembro de 2010

The Walking Dead: um seriado que faz jus ao nome


Antes do primeiro episódio estrear nos Estados Unidos, todos falavam de The Walking Dead. Com estreia no dia de Halloween, tinha tudo pra ser o seriado mais aterrorizante de todos os tempos, deixando pra trás o aclamada Supernatural (que, convenhamos, não dá medo algum). A hashtag #TheWalkingDead era uma das mais usadas no Twitter e todos esperavam ansiosamente o dia da estreia.

A estreia chegou e, quando assisti ao episódio, pensei: "tanta propaganda pra isso?". Não que o episódio tivesse sido ruim. Apenas estava muito aquém das expectativas que o próprio serviço de marketing do seriado me proporcionou. Não há nada mais perigoso para a vitalidade de um seriado ou filme do que quando sua propaganda é infinitamente superior ao produto em si, pois acaba ocasionando no público um sentimento de decepção. Decepção, eis a palavra que descreve muito bem esse seriado.

No segundo episódio, a narrativa melhorou exponencialmente. Mais ação, menos falatório. Foi o melhor episódio de todo o seriado. E ouso dizer que foi o único episódio realmente bom de The Walking Dead. Tal qual os mortos vivos que o compõem, o seriado conta sua história tão devagar que às vezes você chega a pensar que o roteirista também é um morto-vivo. Quatro longos episódios passaram-se contando a mesma coisa, com os mesmos personagens enfrentando os mesmos dilemas, no mesmo cenário.

Quando os caras vão pra cidade procurar armas, ou quando zumbis invadem o acampamento no qual as pessoas estavam se refugiando e você
pensa que tudo vai mudar, volta-se sempre ao mesmo lenga-lenga. Até mesmo no último episódio da primeira temporada, quando supõe-se que algo extraordinário vai acontecer para fazer um gancho para a próxima temporada, você descobre, no fim, que estavam mais uma vez te enrolando. Apenas a mesma fórmula dos episódios errantes anteriores: algo muito louco acontece, você acha que aquilo vai mudar completamente o trama, mas, no final, eles sempre voltam à estaca zero. O enredo não se mexe em The Walking Dead. É um enredo morto-vivo, mais morto do que vivo.

Tanta propaganda pra isso?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os materiais obscuros de Deus

Quem entra em fóruns de livros de fantasia internacionais se surpreende quando descobre que a trilogia His Dark Materials, do inglês Philip Pullman, foi batizada no Brasil como Fronteiras do Universo. Uma tradução bastante desinteressante, que tem mais potencial para atrair os nerds da Física do que fãs do gênero.

Quem botar as mãos - e também os olhos, de preferência - em Fronteiras do Universo irá perceber que não se trata de teoria das cordas ou viagens no tempo, mas de uma ótima obra fantástica criada por um autor da mesma época de Tolkien. Por esse motivo, a partir daqui não me referirei ao livro como Fronteiras do Universo, tratando-o por seu nome original. Basta ler os primeiro capítulo da saga para perceber que o "his" de His Dark Materials refere-se a Deus. E é também por isso que, na minha opinião, deveria ser mais popular (a obra é bombada apenas no Reino Unido), mas mais à frente digo por quê.

His Dark Materials é uma trilogia composta por vários mundos alternativos. Em A Bússola de Ouro, primeiro livro da série, Lyra Belacqua é criada por catedráticos numa cidade universitária de Oxford, onde crianças começam a desaparecer misteriosamente, sequestradas por pessoas a quem os habitantes dão o nome de goblers. Após conhecer a Sra. Coulter, uma importante e influente mulher da alta sociedade, a garota é adotada e deixa a universidade para aprender com ela, levando um objeto que lhe é entregue às pressas: o aletiômetro, a bússola de ouro, capaz de mostrar a verdade. Com auxílio desse instrumento, ela descobre mais sobre a Sra. Coulter, que tem muitos segredos a serem revelados e se mostra completamente diferente daquilo que aparentava ser.

Nas continuações, ocorre muita traição e mistérios, aos poucos revelados. Todas as teorias que você fica mirabolando durante a leitura e que parecem fatos irreversíveis podem se desmoronar e você se decepcionar com aquele personagem bom e fofinho, ou mesmo vir a admirar aquele a quem creditava o papel de bandido. A mensagem que Pullman quer passar? Que não há dualidades - bem versus mal - mas que todos têm seu caráter alterado conforme pede a situação. A essa teoria do autor, adiciona-se apenas uma exceção: a Igreja. Para ele, esta é sempre a vilã.

No mundo de His Dark Materials, Pullman utiliza a retórica para dar a entender que a Igreja (no livro, chamada de Magisterium) controla todo o mundo ocidental, e provavelmente o oriente também, através de muita manipulação e conspirações pela supremacia.

Não é à toa que a saga causou uma grande polêmica na época que foi lançada. Em extrema contraposição com C.S. Lewis, que publicava As Crônicas de Nárnia, que muitos dizem ser uma "bíblia para crianças", Pullman se indignava com a política das igrejas de sua época, criticando-as e chamando a todas, sem exceção, de manipuladoras.

É em decorrência dessa crítica, muito apropriada para o tempo em que o autor viveu, que a obra deveria ser mais conhecida. Quer dizer, além de conter uma história envolvente, faz uma crítica que, para seu tempo, foi ousadíssima! Infelizmente Hollywood não fez bem seu papel de disseminar a estória. A adaptação para os cinemas de A Bússola de Ouro foi um fracasso, o filme foi encerrado numa parte muito nada a ver, e a atuação de Nicole Kidman foi um desastre. Se colocássemos uma boneca de plástico em seu lugar, mal notaríamos a diferença, já que as expressões no decorrer do trama permaneceriam as mesmas.

Se você assistiu o filme e detestou, não se assuste. O livro, como ocorre com todas as obras literárias que viraram filmes (com raras exceções, como Senhor dos Anéis), é muito melhor. Se você ainda não leu His Dark Materials, não sabe o que está perdendo.

Meta: Disney World


Lembro-me como se fosse ontem: meu pai me levava à locadora perto de casa e, na sessão de desenhos, eu sempre escolhia um VHS (fita K7, vejam vocês!), de preferência um que fosse da Walt Disney. É difícil imaginar uma criança que não goste dos desenhos da Disney. Se você foi uma dessas crianças, lamento dizer, mas na minha opinião ela foi uma droga. Por que, afinal, a infância deve ser repleta de magia, e magia é especialidade da Disney!

Ouso dizer que quem não passava o final da década de 90 assistindo, às 18h, a TV Cruj, repleto de desenhos da Disney, não soube aproveitar o que houve de melhor na época. Quem nunca assistiu Branca de Neve e os Sete Anões, ou quem nunca se emocionou com o final de Pocahontas, não viveu uma das maiores experiências que o mundo do cinema pode te proporcionar.

Sempre que terminava de ver os filmes da Disney, voltando às extintas fitas K7, eu via a propaganda que enchia meus olhos... a do fantástico mundo de Walt Disney World (redundante, é verdade, mas era exatamente assim que anunciavam). Desde então, visitar o Magic Kingdom tem sido meio que um objetivo de vida. Se me perguntarem qual é meu sonho de consumo, não responderei que é um carro, nem uma casa com piscina, nem mesmo um prêmio bilionário na Mega Sena. Simplesmente me deixem tirar uma foto com o Mickey na Disneylândia!

Por isso neste exato momento estou agora estabelecendo uma meta, e deixando registrada: até 2015 eu irei para a Disney. Espero que o mundo não acabe até lá. Me deixem antes tirar uma foto com o Mickey!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

American Music Awards 2010, piada atrás de piada!


Ontem (ou hoje, por volta da 1 da manhã) aconteceu o American Music Awards 2010, premiação da rede de televisão americana ABC. O evento contou com grandes apresentações, como Pink!, Ne-Yo e Christina Aguilera. Destaque para a primeira, que conseguir transformar o palco num show de cores. Ressalvas para a última, que mostrou sem medo nenhum algumas estrias que estavam saltando de sua perna. Isso é natural, é claro. Mas convém às divas, podres de dinheiro, colocar pelo menos uma maquiagenzinha pra esconder, né?

Apesar de ser um evento musical, em vários momentos os telespectadores tinham a impressão de estar em um stand-up comedy. Principalmente pelo vencedor da noite: Justin Bieber faturou o prêmio de artista do ano, deixando pra trás Lady Gaga, Katy Perry, Eminem e Ke$ha. Veja bem, não estou dizendo que Bieber é um artista ruim, ele até que canta bem e dança de forma razoável, mas ficar à frente de Lady Gaga, Katy Perry e Eminem? Só pode ser uma piada! E uma piada de muito mau gosto!

Como se não bastasse, ao receber o prêmio e revelando a inabilidade em discursar para uma multidão, normal em um artista precoce de 17 anos (mas que aparenta 14), Bieber agradeceu à família e ao irmão e às tias e ao cachorro, não depois de soltar essa: "Muito obrigado também a você, Michael Jackson". Tipo, hã?

domingo, 21 de novembro de 2010

Glee, os perdedores


Líderes de torcida e jogadores de futebol ocupam o topo da cadeia alimentar. Nerds e jogadores de RPG, a parte de baixo. Os integrantes do Glee, clube musical de uma escola pública norte-americana? Ah, esses ficam no sub-solo. Pelo menos o que diz a treinadora das cheerleaders, Sue Sylvester, e principal inimiga de Will Schuester, professor de espanhol e diretor do clube Glee.

Claro que estou falando do seriado Glee, que desde sua estreia tem feito um estrondoso sucesso em todo o mundo. Não é pra menos: o seriado inovou trazendo musical de qualidade, misturando músicas clássicas com atuais, aquelas que tocam no rádio ou fazem parte do top da Billboard. O que chama atenção, além disso, é o fato de que as músicas escolhidas sempre têm alguma relação com o momento do enredo, ajudando a compreender os sentimentos e motivações dos personagens do seriado.

Apesar de ter um enfoque musical, Glee possui um enredo que vai evoluindo conforme o passar dos episódios, e passa por temas que costumam afligir jovens em fase de ensino médio: bullying, insatisfação com o próprio corpo, popularidade, ser aceito pela sociedade em detrimento de suas próprias vontades, ou crenças individuais que causam dúvidas, em meio ao turbilhão de opiniões vindas de pessoas acima de você na "cadeia alimentar" descrita no início deste post.

Apesar de tudo correr sob um clima cômico, o
seriado faz muitas críticas implícitas sobre a forma como a sociedade dá suporte ao processo de evolução da personalidade dos jovens. O maior exemplo seria Kurt, o único personagem gay assumido da escola, que frequentemente é atirado contra o armário por conta de sua orientação sexual. Como se isso não bastasse, todas as outras pessoas, inclusive professores, fingem não ver o que acontece com ele diariamente. Mera coincidência com o que vemos no mundo real?

O seriado também conta com outras minorias, como Santana, uma adolescente obesa, que vê sua vida dificultada, num dos episódios, quando tenta se tornar uma líder de torcida. Claro que teria, antes, que passar pelo crivo de Sue Sylvester, que já havia dito que "tudo o que eu quero é somente um dia no ano em que eu não seja agredida visualmente por feios e gordos. Sério, Ohio, essas retinas precisam de folga". Numa das apresentações mais emocionantes da série, em que canta Beautiful, da Christina Aguilera, Santana mostra que todos podem ser felizes do jeito que são, porque todos são diferentes e o mundo seria uma droga se todos pensassem e agissem da mesma forma. Um casal de asiáticos também sofre com o preconceito vindo de loiros de olhos azuis.

O mais impressionante é que, como se trata de um seriado bobinho, à primeira vista, seria de se esperar que o "bem" sempre vencesse no final. Não é o que acontece em Glee. Em muitos dos
episódios você pode se surpreender com eventos trágicos ou, quando está certo de que os membros do clube conseguirão alguma realização importante, tudo pode vir por água abaixo de uma hora pra outra. Não tão diferente do que acontece na vida real, se formos analisar. É por essas e outras que Glee é um fenômeno internacional, e o continuará sendo, como já percebeu Sue Sylvester, que escreve em seu diário, num dos episódios: "Toda vez que eu tento destruir aquela ninhada de respiradores de sarna bucal, ela só volta mais forte. Como algum vilão de filme de terror sexualmente ambíguo".

Pra encerrar, coloco abaixo o vídeo de um mash-up muito criativo feito no último episódio, em que misturaram Umbrella, da cantora Rihanna, com o clássico Singin' in the Rain, do musical homônimo:

sábado, 20 de novembro de 2010

Minhas impressões sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte 1


Nunca escondi de ninguém que sou fã da saga Harry Potter, vide meu post da quinta-feira passada. Mas também nunca foi segredo que acho as adaptações feitas para o cinema péssimas, pelo menos de O Prisioneiro de Azkaban pra frente. Bom, pelo menos até agora.

ATENÇÃO! ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!

A primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte, em extrema contraposição com o que a crítica vem pregando, me chamou a atenção por sua fidelidade e dinamismo, mesmo que para uma
primeira parte. Antes de assistir ao filme, li críticas, como a de Isabela Boscov, dizendo que o roteiro é parado e, por vezes, entendiante. Ainda bem que há muito tempo eu parei de levar em consideração o que a crítica diz antes de assistir a um filme. Pra mim, ler uma crítica de um filme é como ler o horóscopo: você vê por curiosidade, mas entende que nada daquilo é a verdade absoluta.

Pois bem. As Relíquias da Morte prenderá atenção de todos, fãs da série e espectadores casuais. O clima de suspense está mais em alta do que nunca, e as cenas cômicas, embora poucas, arrancam uma boa gargalhada da platéia. Até um dos efeitos que só aconteceram comigo uma vez da vida, com o final Atividade Paranormal, que me fez dar um pulo da cadeira, se reproduziu neste longa, logo no começo do filme, quando a cobra de Lord Voldemort, Nagini, abre o bocão, mostrando os dentes afiados, e avança na direção da câmera!

Além disso, o longa inovou. Quando Hermione começa a contar o conto dos três irmãos bruxos
que driblaram a Morte, d'Os Contos de Beedle, o Bardo, uma animação muitíssimo bem feita se desenrola para simular a lenda do mundo bruxo.

Mas claro que nem tudo poderiam ser flores. Apesar de ser bastante fiel ao livro com relação aos filmes anteriores, alguma coisa soa errada na cena em que Harry tira Hermione para dançar. Os produtores tentaram pintar um clima entre os dois que não existe, talvez para justificar uma briga de Rony que acontece no decorrer do longa.

Fora esse pequeno detalhe, porém, posso dizer com toda a certeza que, dessa vez, toda a ansiedade pelo que estava por vir valeu muito a pena. Quase chorei numa das cenas finais do filme (a morte de Dobby), em que deram um tom bastante emocionante, e o fechamento foi perfeito. Você sai do cinema com uma sensação de "poxa, já acabou, que rápido...", mas quando olha para o relógio percebe que se passaram duas horas e meia desde entrou na sala.

Já estou contando nos dedos os dias que faltam para 15 de julho de 2011, quando estreará a segunda parte d'As Relíquias da Morte. Sei que é muito tempo, mas faz parte daquela ansiedade nostálgica de que falei anteriormente, lembra? E, no que depender de Matthew Lewis, o ator que interpreta Neville Longbottom, podemos nos preparar para sentir o dobro de emoções que a primeira parte nos proporcionou. Segundo ele, "a segunda parte é muito melhor. (...) Parece um filme de guerra, cheio de ação e explosões". Sem contar que é o final da saga, né? Haja coração!